O mal foi libertado sobre o nosso mundo e apenas a esperança sobrou, longínquo murmúrio que chega até nós nos dias que correm, trazido por memórias rebuscados e deturpadas pelo intenso e incontrolável turbilhão do tempo. Mas a história termina aí o que leva os mais afincados e crentes leitores a enveredarem por uma tarefa hercúlea na procura da caixa, ainda que esta seja uma metáfora bem vincada, e encontrarem nela, bem no fundo, amedrontada pela maléfica e distorcida existência humana, essa esperança que, na maior parte das vezes, parece uma meta demasiado idílica para merecer sequer o esforço que a ela conduz.
Pois desenganem-se os ateus e os agnósticos, falsos sinónimos já muitas vezes esclarecidos à minha pessoa, mas que continuo sem distinguir colocando portanto, para evitar discriminações ou atentados à minha integridade linguística, emparelhados sempre que um dos dois desejo invocar, a caixa de Pandora não é uma metáfora, não, longe disso, é tão real que vivemos nela sem nos apercebermos a cada momento da nossa existência, a cada sopro de vida que expelimos, a cada piscar de olhos, a cada eterno segundo que nos aproxima inevitavelmente do fim, sempre lá esteve. E não falo eu de abstracções como o mundo ou o Universo, seria no mínimo patético considerar o nosso mundo uma caixa, falha estilística enorme utilizar uma caixa aproximadamente esférica para guardar algo tão perfeito e inimaginável como a esperança, falha apenas equiparável pela concepção de uma caixa de tamanho infinito em constante (será?) crescimento. Não. Desde o momento em que a sala 118 ganhou vida que muitos sentiram o Seu poder, o Seu chamamento, o Seu efeito. Desde o momento em que decidi transcrever os acontecimentos que rodeavam aquele ponto fulcral do poder divino que me senti impelida por forças até então desconhecidas, que me deram o dom de transpor em palavras momentos e sentimentos que ultrapassam a mais inumana das percepções. E foi só quando tal poder desapareceu, a 14 de Fevereiro de 2010, que eu percebi, que todos os que comigo viveram naquele oásis perceberam, que a sala 118 estava perdida para sempre. E todos entenderão agora porque afirmo, sem dúvidas de qualquer tipo, que a sala 118 é sem dúvida o antro da esperança, a caixa de Pandora dos tempos modernos.
Mas ultimamente a caixa permanece selada. Todos os que tinham o poder de a abrir sucumbiram a maleitas diversas, muitas das chaves simplesmente sumiram, viajaram, deixaram de exercer a sua função. E nestes dias que correm a esperança permanece, trancada eternamente no minúsculo volume contido nas 4 paredes chão e tecto desse cubo de Rubik, pois mágica ela é, faltando apenas o espectro cromatográfico e os múltiplos eixos de rotação para tornarem esta simples e rudimentar metáfora numa descrição perfeita e perspicaz do local divino que é a sala 118. Tentai oh intrépidos exploradores, passar dias e dias como aqueles que passamos naquela sala. Tentai oh jovens aventureiros sentir a torrente de divindade que tão prosperamente emanava da fonte da sabedoria dentro daquelas paredes... Tentai e falhai.
A fonte secou...
Mas virá o dia em que aquelas portas se abrirão de par em par, ignorando o facto da singularidade de uma só porta existir que separa o Éden olímpico da sala 118 do mundano corredor que a ela conecta. E nesse dia a esperança fluirá nos nossos corpos, oh crentes na perfeição, e inundará os nossos seres com o sentimento que todos partilhávamos rodeados daquelas quatro paredes e 2 janelas... Acreditai... Esperai...
Esse dia virá...
quarta-feira, 31 de março de 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário