Passam os dias mas o mundo permanece na mesma, quietude inabalável perante o lento fluir do tempo. Da minha janela vejo o mundo assim mesmo: parado quase que cineticamente emudecido pelo nada imenso que dele se apodera. É nestes momentos que penso: porque não mudar esta estática? Porque não lançar ondas de caos sobre tão imensa calma? E é nestes momentos que sinto e percebo que através destas páginas tenho o poder de o fazer, poder sublime mas limitado, e que o farei sempre que tiver algo a dizer, sempre que o nada que me envolve e me contamina ultrapassar o limiar da suportabilidade levando-me a um estado de tal forma catatónico e sufocante que qualquer saída minimamente libertadora me parecerá um renascer para a beleza eterna do mundo.
Depois de tão eloquente introdução, demonstrando todos os meus dotes de praticante de literatura [mesmo que a minha formação academica em nada, ou quase nada, espelhe tais atributos de mago das línguas e da arte em global, apesar de estes serem já inegáveis para seguidores habituais deste blog], chegou o momento de bombardear todos os leitores assíduos com várias revelações que muitos anseiam com certeza, ao ponto de seguirem diariamente este blog, mesmo sabendo que, devido a muitas limitações temporais e derivadas da minha extensa e ocupada vida social, a concepção de tomos de sabedoria e pensamento abstracto com frequência diária se torna uma actividade assaz impossível [mesmo sendo eu um aceitador e seguidor acérrimo da filosofia einsteniana do impossible is nothing, num facto que muitos acharão em contradição com o acima apresentado mas que não se trata de tal, sendo apenas um leve paradoxo que em nada influenciará a propagação de entropia nas sinapses dos leitores que desejo com estes parágrafos]. Assim sendo sem querer maçar mais o meu único seguidor e os meus seguidores, muitas vezes equiparáveis a discípulos que bebem das minhas palavras, passo a revelar o que muito desejaram: o porquê de todos os meus àpartes, pensamentos filosóficos, comentários minimamente inapropriados, momentos de reflexão sobre supracitações, virem enclausurados não nos habituais parentesis curvos [curiosa a utilização de um símbolo tão obscenamente curvilíneo para actividades tão leigas e tão pouco discriminadas pela sociedade] mas nos elegantes e nobres parentesis rectos. Mas como em tudo neste universo, uma pequena causa pode desencadear uma cascata de reacções que podem conduzir a acontecimentos catastróficos, apocalípticos e que, um dia, [esperemos que tal nunca aconteça pelo bem dos meus idólatras] obliterar este blog da face da Internet.
Portanto sem vos querer desiludir sou directo na causa inicial: as teclas de parentesis curvos do meu teclado estão estragadas. MAS como tudo neste blog, existem sempre pequenos pormenores, bizarros, impressionantes e que dão outra dimensão a algo simplesmente ridiculo como a falta de conexão entre os chips das teclas em questão. E aqui surge a magia. Os parentesis rectos permitem, em toda a sua beleza sintética e linear, uma abstração do mundo que os rodeia, fornecendo uma pequena prisão à minha alma, onde me posso abstrair da necessidade que tenho em ser outra pessoa perante os meus seguidores que me vêm já como um semi-deus [hilariante trocadilho para quem o compreender do alto do seu conhecimento da vida académica] e demonstrar a todos o que realmente sinto. É nessa clausura claustrofóbica de ângulos rectos que outro valor mais alto se alevanta [Lusíadas quoting ftw] trazendo às camadas mais externas do monitor de si, leitor [pela primeira vez me dirijo a si e faço-o com todo o desprezo que a sua insignificância em relação ao meu superior ego merece] aquilo que realmente sou, chamemos-lhe usando um termo que caiu em desuso, o meu verdadeiro-ego... Não um alter-ego...mais um fidelis-ego, ou numa inversão bastante derivada da nauseabunda fonética de tal neologismo, Ego Fidelis. [Conheçam-me portanto e temam-me.... Em breve não poderão fugir à realidade, um dia saberão aquilo que mais desejo nesta vida, um dia odiar-me-ão ainda mais, se tal for possível, do que me odeiam neste etéreo momento em que a vossas retina se foca neste último e devastador caracter. Odeiem-me pois eu, do alto do Olimpo desta confusa e disturbada mente, não quero de vós reles plebe qualquer tipo de adoramento... Desejem não me voltar a ler nestes posts pois sempre que tomo controlo destas mãos, apenas desejo reduzir-vos à laia insignificante que vós representais. Olhem o céu nocturno e lembrem-se... O Universo é negro naturalmente, não tenteis negar a escuridão do vosso ser... ]
As if you could kill time without injuring eternity.
P.s. para os meus seguidores: muitos temas tentarei desenvolver nestes dias de férias. Peço desculpa pelos atrasos e pelos taunts que o último post possam ter provocado.... Mas como ele o quis siginificar mais vale falar apenas quando se tiver algo para dizer... Never forget, never forgive. JC
terça-feira, 30 de março de 2010
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