Não tenho nome. Se alguém duvidava acaba aqui o flagelo que atormentou a mente desse triste e solitário indivíduo, cuja felicidade na vida se prende com as actualizações deste blog e que, proventura, já não mais o lerá nem beberá do saber destas palavras derivado do seu mais que provável suícidio durante o hiato de mais de um mês a que fui forçado por condicionantes externas ao meu espectro de domínio. Este escrito narra o acontecimento que causou este, para muitos sim para quase todos não, doloroso período de desértico fluir de ideias da minha parte, nessa noite fatídica de 14 de Fevereiro de 2010, sob as estrelas gloriosamente brilhantes, salpicando o negrume do Universo.
"Nature herself has imprinted on the minds of all the idea of God."
É curiosa a ligação entre a minha inominalidade [facto não aleatório nem meramente proto-filosófico, nem muito menos artíficio da minha bizarra mente para exprimir um qualquer sentimento de falta de identidade] e o promíscuo e vernáculo [palavra utilizada por um docente que respeito acima de Deus e outras entidades poli ou monoteístas um pouco por toda a toalha tetradimensional do espaço-tempo que cobre a existência da raça humana, feita às suas muitas e variadas imagens e semelhanças] acto do acasalamento humano, propulsionado, contra a vontade das divindades, pela criação do, tão inapropriadamente chamado, dia de S.Valentim, rebaptizado pela falta de respeito pela canonização, que as mais recentes e hereges gerações têm por este acontecimento demonstrado, como dia dos Namorados [com letra maiúscula como advém da ridícula e incompreensível importância que os self-proclaimed casais gostam na vasta maioria das vezes de atribuir ao rótulo dado à natureza da sua relação].
O meu nome perdeu-se na necessidade de me abstrair desses pensamentos impulsivos e presos ao prazer carnal na concepção destes tomos meramente abstractos. É o preço que se paga por esquecer a necessidade de ser amado e de amar: perder a própria identidade e ascender a um nível que poucos ou nenhuns sonharam atingir, e do alto desse pico de omnisciência lançar a cólera sobre aqueles que se perderam no tumultuoso mar do abstraccionismo do mundo que os rodeia quando acompanhados por outro ser que com eles partilhe tão perigosa e letal atracção. É esta força e este complexo de superioridade que me move no dia 14 de Fevereiro a esse antro de lascívia e obscenidade a que muitos gostam de chamar [vá-se lá saber porquê oh sábios da semântica e da necro-linguística] sala de cinema. Não só. Não. Um dia tão impróprio como este merece a companhia de 2 pessoas que comigo partilhem minimamente a superioridade em relação as restantes 150 pessoas neste enorme complexo de cadeiras reclináveis, incitando anda mais a prática descontrolada e desrespeitosa do coito em público, a quem chamaremos daqui em diante ficticiamente de Sara e Sofia [curioso como eu, also ficticiamente João E.F., indivíduo do cariótipo XY me faço acompanhar de dois indivíduos do sexo oposto sem qualquer pretexto reprodutivo ou de obtenção de prazer, num dia como o de hoje, a um filme romântico, rising once again above all].
Mas não é apenas com o objectivo de visionalização de uma película, produzida e realizada com o único e simples fim de provocar um baby boom em Novembro de 2010, [ou Setembro de 2010 para os, já de tão tenra idade, precoces] que os 3 protagonistas desta história decidiram perder uma noite de domingo em incómodas viagens de autocarro, rodeados por indivíduos com um QI inversamente proporcional ao gosto estilistico e capilar, perdidos na maralha de inerguminidade que se abateu sobre o shopping nessa fatídica noite. O objectivo era obliterar toda a possibildiade de criação de um clima minimamente apropriada a todas as tarefas que repudiei nos últimos parágrafos e obedecer ao que a minha omnisciência me obriga: arruinar durante 2 horas o tão importante dia dos Namorados a todos aqueles que, para mim Zeus da pureza, já nada representam neste mundo, nem em qualquer variação do mesmo em universos alternativos, e estariam melhor fechados numa ilha deserta, presos pelos grilhões da paixão, incapazes de propagarem a peste que os corrompe a cada yocto-segundo. E nessa noite vencemos.
Muitos lembrarão que a Novembro de 2010 a taxa de natalidade numa certa zona de um certo distrito de Portugal registou mínimos históricos inexplicáveis mesmo aos olhos dos mais doutos entre os mestres e doutores de medicina. Pois o nobre acto de dar à luz [outra frase, proveniente do infindável almanaque de frases inapropriadas a unidade curricular que lecciona, desse docente a quem idolatro e devoto todo o meu serviço e vassalagem] nesse 11º mês está directamente ligado à pontaria do jovem e anafado cúpido 9 meses antes, pontaria facilmente diminuída pelo poder que me foi concebido em troca do meu nome na patética esperança de salvar o mundo de todas as chicotadas que o demónio da sensualidade tenta continuamente inflingir sobre cada um de nós. Aqui deixo a mensagem: custou-me mais de um mês de recuperação, um mês de vazio mental e incapacidade de escrita e outras actividades cognitivas, mas graças a mim e aos que deram a vida e a morte por este momento, Cupid you shall never rise again from the ashes.
quarta-feira, 31 de março de 2010
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