quarta-feira, 31 de março de 2010

JC10 - Paradox (aka Destiny)

Há momentos na vida de cada um de nós que parecem cuidadosa e, muitas vezes, cirurgicamente extraídos de um qualquer argumento fictício elaborado por alguém com uma imaginação e uma distorção tão grandes da realidade que quando tais acontecimentos tomam lugar, os seus intervenientes sofrem consequências tenebrosas a nível da sanidade mental e da capacidade cognitiva de compreender a realidade que os rodeia. Neste post narrarei um desses acontecimentos, um momento belo daquilo a que os mais literados gostam de chamar uma feliz coincidência, não confundir com destino ou determinismo, falsos sinónimos, pois falar de tais temas poderá ferir susceptibilidades e provocar divagações e discussões de tal forma extensas que o limite de caracteres deste post seria largamente ultrapassado sem que a alguma conclusão sólida conseguíssemos chegar.

Todos os anos existe um fim-de-semana capaz de mudar o futuro. Para quem acredita em destino, pode dizer-se que aqueles que o vivem são responsáveis por moldar vidas, poder concedido apenas pelos mais crentes e beatos seguidores das divindades a elas mesmas. Eu vivi-o nos últimos 3 anos e, nesse período de tempo, construí futuros, destruí vidas, estilhacei ideias erróneas e criei revolta entre os meus iguais. Este ano mudei a postura. E decidi dar a cada um dos que me procurou em busca de respostas um momento de epifania espiritual, uma viagem ao subconsciente onde decidi projectar imagens do futuro de cada um, para que cada um percebesse que, mesmo moldando o destino, existe sempre o poder de escolher, o livre arbítrio. E foi num destes momentos de projecção astral na mente de um dos muitos indivíduos que durante 4 dias procurou os meus conselhos, após árduas horas de viagem por caminhos inacessíveis e mares inultrapassáveis, que eu mesmo fui atacado pelo destino.

Muito se tem conjecturado, mesmo após o meu último post, entre os meus seguidores, se realmente eu sou o ser omnipotente que afirmo ser, desprovido de todos os sentimentos responsáveis pela perda de controlo sobre o meu ego. Para muitos eu minto, heresia das heresias revoltar-se de tal forma contra a divindade inegável do meu ser, e para esses descrentes nem eu, ficticiamente João Monteiro, resisto aos prazeres da carne, apontando-me ainda o dedo no facto em que crêm na minha fraqueza em relação ao indivíduo que tratarei deste momento em diante por Diana. Dela já falamos remotamente neste blog e os mais afincandos e fanáticos seguidores já a conhecerão e já terão com certeza fantasiado com uma personagem meramente virtual, sem aparência corpórea, e com todas as actividades que esta falta de corporalidade e obediência às leis da Física poderia fornecer. Não escrevo isto para admitir tão inapropriada relação especialmente quando ela não é verídica, mas também porque faz parte da minha natureza não ceder a pressões externas no que à mentira diz respeito. Diana é uma peça importante no que se desenrolará em seguida e, duma certa forma, Diana prova no acontecimento a narrar em breve, que se calhar há pessoas que estão feitas para estarem juntas por muito ódio e nenhuma atracção que exista entre elas.

O Domingo de Ramos é uma tradição inexplicável. O simples acto de tentar corrigir, muitas vezes, a falta de contacto com as pessoas a quem os nossos pais deram o títulos de padrinhos, ainda nós não tinhamos capacidade para concordar ou não com a decisão, é no mínimo patético e revela que a chantagem e o suborno são duas das armas mais poderosas para dominar os sentimentos de uma pessoas, elevando a sua cobiça e ganância à flor da pele, sempre escondida mas nunca enterrada. No Domingo de Ramos eu executava a minha tarefa de guia espiritual perante os milhares de almas perdidas que buscavam os meus conselhos quando uma delas me revelou, na viagem pelo seu subconsciente, uma relação de parentesco ténue com Diana. Esta relação, "prima" chamou-lhe ela, trouxe a mim a dúvida, onde está Diana quando era suposto estar aqui orientando a sua prima nos poderosos e misteriosos caminhos da vida? A dúvida encheu-me e tive que a expressar à única pessoa capaz de mo responder. A verdade é que a "prima" de Diana sofria da mesma dúvida que eu em relação ao seu paradouro quando a necessidade de amor fraternal se mais fazia sentir. Os telemóveis são armas do demónio, mas é neste momento que revelam todo o seu poder, ao darem-me a notícia de que, cedendo às tradições, Diana se encontra com a sua madrinha partilhando momentos de afecto inigualáveis, falsos quem sabe, só Deus, visto falar eu de experiência muito pessoal.

Mas uma história que poderia acabar aqui e em nada espelhar anormalidade, entrou no domínio do sobrenatural quando fui abordado por um segundo indivíduo, claramente relacionado com o primeiro numa relação clara de maternidade ou afim, exclamando perante o meu ar estupefacto, ser ela, e não outra do outro lado da linha de trocas de SMS, a madrinha de Diana. Em quem acreditar? Naquela que todos crêm ser a única capaz de me fazer ceder aos prazeres da carne ou na pessoa que afirmava ser a sua madrinha, ilustre desconhecida para mim, estaria ela a mentir? Não sei, continuaria sem saber, sem o destino não me tivesse feito questionar Diana. Será destino? A verdade é que Diana afirmava novamente que estava a dirigir-se a casa de sua madrinha, que se encontrava ali quedada à minha frente enquanto via este enorme paradoxo desenrolar-se à minha frente. O final desta história? Não sei. Nem quero. Há histórias que ficam completas sem um final, perdoando-me mais este paradoxo. Prefiro viver a vida a pensar que este momento teve tanto de belo como de impossível. Coincidence you might think? Como numa bela série de televisão que eu e muitos outros seguem vorazmente, muitas vezes até demais, já foi um dia proclamado...

Don't mistake coincidence for fate.

JC

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