sábado, 13 de fevereiro de 2010

JC06 - Pain

Apesar da curiosidade de este ser o segundo título composto apenas por uma palavra, em nada constitui este post uma sequela ao anterior escrito pelos mesmos autores. Este ensaio é apenas um modo de abstrair a minha mente da inegável verdade que me corrói as entranhas neste preciso momento do fatídico dia 13, sábado, de Fevereiro de 2010, [curioso dia, tendo em conta os acontecimentos que nele já ocorreram, até poderá parecer aos mais supersticiosos que Deus ou qualquer outra força que posso porventura controlar o Tudo sofreu uma translacção temporal de um dia e colocou uma sexta-feira 13 no dia de sábado, enfim até o todo-poderoso pode enganar-se de vez em quando, ser o Senhor não é tarefa fácil, nem mesmo para o senhor Silva da mercearia] e me faz desejar nunca ter sido criado, apesar de eu ainda crer que os meus pais são assexuados e que eu sou o resultado falhado de uma experiência genética para criar um ser humano perfeito [claramente uma experiência falhada como pode ser observável pelo grau de demência das 5 crónicas que antecederam esta].

Estou só. Completamente. A sala 118 está completa e inegavelmente vazia. Não existem livros, não existem computadores, o barulho é tão pouco intenso que um mísero mosquito a esvoaçar no exterior de uma das janelas, produz ruído suficiente para desconcentrar o meu poderoso cérebro da sua actividade de estudo intenso. O Quadro, uma das entidades ainda não apresentadas desta sala, encontra-se angelicalmente virgem, sem qualquer traço de um risco alguma vez nele ter sido levado a cabo, por qualquer caneta com a coragem e o sangue frio [boa hipálage neste último passo, para quem afirma que isto não é literatura, nutrir uma caneta de sangue frio é no mínimo espectacular e mesmo que não seja uma hipálage, esta palavra é bestial e merecia ocupar 8 espaços reservados para caracteres neste post] suficiente para tal acto. Mesmo o simples e fútil acto de premir as teclas age sobre o meu tímpano como se de um tremor de terra estranhamente descoordenado estivesse a abalar os alicerces da faculdade. Sinto-me só e nada nesta sala é capaz de preencher esse vazio. Nem o busto negro e polimérico do Criador, nem o mamífero padronizado com dupla nacionalidade espanhola e madagascariana [ou madagascariense, ou madagascarina, por favor alguém me soluciona esta dúvida], nem mesmo a música, nem mesmo as séries inexistentes neste dia de sábado. Neste dia, para sempre recordarei a dor. E fique aqui bem marcado que de hoje em diante, no dia 13 de Fevereiro do ano de 2010+n, n pertencente ao conjunto dos números naturais, eu, nome fictício João Monteiro, nunca mais porei um pé na faculdade seja para que motivo for. Porque sofrer como eu sofri nesta tarde, nunca ninguém sofreu, sofre ou sofrerá, mesmo que seja obrigada a ver o último episódio de Supernatural após uma festa rica em bebidas alcoólicas ou uma noite de directa a dormir, seguido imediatamente da visualização desse clássico Troll 2 [que também merecerá em breve uma crónica] um filme que ultrapassa os limites tremidamente definidos da realidade.

Vou para casa. O meu nome não será apresentado aos leitores, portanto ficticiamente eu, João Monteiro, fecharei esta porta e que ela não seja jamais aberta por algum indivíduo esperançado de ter um dia calmo em solidão neste local. Pois hoje ficou provado que a mística que flui do seu núcleo deve ser alimentada pela aura de socialização, pois caso contrário, death awaits.

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